Cassilandia Jornal

notícia publicada em 20/04/2017 �s 16:30:04

“Intocável”, contrabando de cigarro ganha força e não poupa nem policiais
 
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 Cr�ditos da Foto: Divulgaçao 
O contrabando de cigarro se tornou a maior força do crime organizado”. Foi essa a primeira frase dita ao Campo Grande News nesta quinta-feira (20) pelo inspetor da PRF (Polícia Rodoviária Federal) que teve a casa metralhada na madrugada de domingo em Dourados, cidade a 233 km de Campo Grande.

O policial, que pediu para não ter o nome divulgado por medida de segurança, dormia no momento do atentado. Seus familiares também dormiam e foram acordados pelos disparos. “Era por volta de 4h45 quando acordamos com os tiros”, afirmou o inspetor.

Segundo ele, pelo menos 18 tiros de pistola calibre 40 foram disparados contra a residência e seu veículo.

Projéteis e cápsulas deflagradas foram recolhidas pela perícia da Polícia Civil, mas a investigação está a cargo da Polícia Federal. No Brasil, o calibre 40 é de uso restrito das forças de segurança.

Retaliação – O policial rodoviário desconfia que o atentado em sua casa foi com a intenção de intimidá-lo por causa da repressão que a PRF tem feito nas últimas semanas ao contrabando de cigarro na fronteira com o Paraguai.

“Essa ação dos marginais ocorreu depois da apreensão de 10 carretas de cigarros em 12 dias de operação”, afirmou o policial, que esteve envolvido diretamente na repressão ao contrabando.

Em uma das apreensões, policiais rodoviários federais encontraram o contrabando 115 mil maços de cigarro em uma carreta com placa de Goiás, interceptada na BR-163, no município de Eldorado. O contrabando estava escondido em uma carga de fertilizantes. O motorista de 41 anos foi preso em flagrante.

Negócio lucrativo – Fontes ouvidas pelo Campo Grande News revelam que o contrabando de cigarro do Paraguai sempre foi uma atividade criminosa muito estruturada e lucrativa, capaz até mesmo de comprar o apoio de agentes públicos.

Entretanto, nos últimos tempos o negócio se tornou ainda mais rentável, já que o comércio de cigarro contrabandeado ocorre livremente na periferia das principais cidades brasileiras. “Você encontra cigarro do Paraguai em qualquer banca de camelô, esse é um negócio com venda garantida”, afirma um policial com atuação na fronteira.

Ao contrário das drogas ilícitas, como maconha e cocaína, não existe repressão ao comércio varejista de cigarro contrabandeado e a venda é feita livremente em qualquer local.

Do Paraguai para o Rio – O cigarro do Paraguai está presente em qualquer parte do país. Na região norte do Rio de Janeiro, um camelô que mantém uma banca perto do Shopping Nova América vende cada unidade de cigarro por R$ 1,00. A venda é tão lucrativa que nem adianta pedir maço fechado.

“Só vendo assim, avulso”, disse o ambulante ao repórter do Campo Grande News, na segunda-feira (17).

“É o que chamamos de varejão, para comprar na hora do desespero. Esse cigarro vem do Paraguai. Com a crise, a gente olha só o preço, não a marca”, confirmou um taxista carioca ao comentar o comércio de cigarro contrabandeado.

Crime organizado – Para policiais sul-mato-grossenses que trabalham na Linha Internacional, assim como a maconha, boa parte do cigarro contrabandeado vendido no Brasil sai do Paraguai passa pela fronteira seca até chegar aos grandes centros.

De acordo com fontes da polícia, as quadrilhas de contrabando de cigarro ficam baseadas principalmente em pequenas cidades da faixa de fronteira, como Eldorado e Mundo Novo em Mato Grosso do Sul e Salto Del Guairá, no Paraguai.


Fonte: Helio de Freitas, de Dourados

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